Muitas pessoas têm receio da palavra «eletroestimulação». Parece ser uma prática estranha e antinatural. Devo confiar nela? Neste artigo, apresentamos os resultados dos estudos que comprovam a eficácia da eletroestimulação. Todos eles foram realizados por universidades ou laboratórios independentes.
Os benefícios reais da eletroestimulação
Aqui estão os principais benefícios destacados pelos estudos:
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Aumento da força: +27%
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Aumento da explosividade: +15%
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Aumento do salto vertical: +14%
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Aumento do volume muscular: +8%
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Aumento do VO2max: +7%
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Redução da concentração de ácido láctico no sangue: -40%
Explicação do aumento da força de +27%
Como já dissemos, há um grande número de pesquisas e estudos interessantes. Aqui, revelamos os mais interessantes e reveladores.
Uma das pesquisas mais minuciosas que melhor apresenta o aumento do desempenho através da utilização da eletroestimulação é a da Faculdade de Ciências do Desporto da Universidade de Borgonha, em Dijon, França.
Em 2005, esta instituição iniciou uma investigação para avaliar o efeito do treino por eletroestimulação no treino neuronal (condicionamento do sistema neuromuscular) e na arquitetura muscular, seguindo os passos de outros autores que já tinham relatado excelentes resultados. (Maffiuletti, Malatesta, Chanteur) (2-3-4).
Neste estudo, 20 atletas foram divididos em 2 grupos (8 no grupo de controlo) e, após 8 semanas, foram avaliadas melhorias nos músculos extensores do joelho (os quadríceps, para simplificar). Os resultados da pesquisa foram extrapolados por eletromiografia, ecografia e dinamómetros.
Quais são os elementos importantes que se destacaram?
- Aumento de 27% na contração máxima voluntária após 8 semanas
- Melhoria da força máxima devido à adaptação neuromuscular ao treino por eletroestimulação
- Aumento da velocidade de resposta neurológica após 4 semanas.
- Aumento hipertrófico da massa muscular de 5 a 10% entre a 4.ª e a 8.ª semana
Estes dados são muito interessantes por si só. Tornam-se ainda mais interessantes se os combinarmos com outros estudos que mostram como o uso correto da eletroestimulação pode trazer uma vantagem em termos de força, mesmo nos músculos não estimulados diretamente.

Explicação por trás da concentração de ácido láctico de -40%
Vários estudos foram realizados sobre o assunto. Tomemos, por exemplo, um artigo publicado no Journal of Strength and Conditioning Research em 2009 (5): o estudo examina um grupo de nadadores que nadam 200 m em águas abertas.
Após o esforço, um grupo de atletas recupera com a ajuda de eletroestimulação, enquanto o grupo de controlo simplesmente descansa.
Ao analisar os níveis de lactato muscular 10 e 20 minutos após o final do desempenho, a diminuição dos níveis de lactato foi mais significativa nos indivíduos que realizaram a sua recuperação com eletroestimulação (-16 a -18%) do que nos atletas em recuperação passiva (-12 a -13%).
O que isso significa?
- Menor sensação de fadiga
- O retorno à homeostase muscular é mais rápido (os músculos estarão prontos mais rapidamente para outra sessão de treino)
Outro estudo publicado no Journal of Science and Medicine Sport (6), envolvendo 28 jogadores de râguebi e futebol, forneceu evidências ainda mais significativas, não só do ponto de vista das respostas químicas (níveis reduzidos de creatina fosfoquinase), mas também da perceção do atleta em relação à fadiga do seu corpo 24 horas após o término do treino.
Por fim, um último estudo publicado no mesmo Journal of Strength and Conditioning Research em 2014 mostra que podemos identificar claramente uma diminuição de 40% na concentração de ácido láctico no sangue com a EMS, se compararmos com uma recuperação passiva (sentado numa cadeira).
Assim, a eletroestimulação permite acelerar a recuperação muscular, que é um dos pontos-chave no treino desportivo.

Bibliografia:
- JULIEN GONDIN, MARIE GUETTE, YVES BALLAY, et ALAIN MARTIN, Electromyostimulation Training Effects on Neural Drive and Muscle Architecture, Laboratoire INSERM/ERM 207, Faculté des Sciences du Sport, Université de Bourgogne, Dijon, FRANCE. , 01 août 2005
- MAFFIULETTI, N. A., M. PENSINI et A. MARTIN. L’activation des muscles fléchisseurs plantaires humains augmente après l’entraînement à l’électromyostimulation. Appl. Physiol. 92:1383–1392, 2002.
- MALATESTA, D., F. CATTANEO, S. DUGNANI et N. A. MAFFIULETTI. Effets de l’entraînement par électromyostimulation et de la pratique du volleyball sur la capacité de sauter. J. Force Cond. 17:573-579, 2003.
- SINGER, K. P. L’influence de la stimulation musculaire électrique unilatérale sur les schémas d’activité des unités motrices chez les quadriceps humains atrophiques. J. Physiother. 32:31–37, 1986.
- Neric, Francis B; Faisceau, William C; Brown, Lee E; Wiersma, Lenny D, Comparaison de la récupération de la natation et de la stimulation musculaire sur l’élimination du lactate après la natation sprint, Journal of Strength and Conditioning Research: Décembre 2009 - Volume 23 - Numéro 9 - p 2560-2567.
- Tom Taylor 1, Daniel J West 2, Glyn Howatson 2, Chris Jones 3, Richard M Bracken 3, Thomas D Love 3, Christian J Cook 4, Eamon Swift 5, Julien S Baker 6, Liam P Kilduff 7, L’impact de la stimulation électrique neuromusculaire sur la récupération après un entraînement intensif, musculaire et à vitesse maximale chez les joueurs professionnels de sports d’équipe, J Sci Med Sport 2015 Mai;1